Cartas e diários na escrita filosófica moderna e contemporânea
O curso será dedicado à análise formal e conceitual da escrita epistolar e diarística como parte do horizonte histórico filosófico desde o final do século XVIII, especialmente lá onde cartas e diários se apresentam como narrativas especulativas. De certa maneira, trata-se de se colocar a pergunta sobre o lugar dessas narrativas na própria constituição do discurso filosófico moderno-contemporâneo.Além da questão geral sobre o significado do uso teórico da autobiografia nesse contexto, a discussão se voltará para o aparecimento do tema, com suas características estético-políticas específicas, nas práticas de escrita das mulheres. O curso partirá de Shakespeare, particularmente da peça Titus Andronicus, para localizar o dispositivo de violência e de resistência que opera na intercessão entre autobiografia e tradução. Na filosofia moderna, serão considerados dois estudos de caso: de um lado, a correspondência entre Kant e Maria von Herbert sobre a moralidade do suicídio, e, num segundo momento, a correspondência de Dorothea Tieck, importante e esquecida tradutora de Shakespeare do círculo do Romantismo alemão – e suas preocupações conceituais sobre seu trabalho.
Textos:
Titus Andronicus - edição em inglês de Jonathan Bate
Cartas de Maria von Herbert, Kant, Dorothea Tieck e Caroline Schelling
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